O projecto Síncrone centralizado pelo IPRC e englobando no seu steering-committee elementos dos Grupos de Estudo de Ecocardiografia e da Insuficiência Cardíaca da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, pretendia realizar um registo dos doentes com disfunção ventricular esquerda e/ou dessincronia cardíaca com indicação para a implantação de dispositivos electrónicos, tendo tido o apoio da firma de Consultadoria para ensaios científicos Key-point, a colaboração da empresa de informática Infortucano na elaboração e funcionamento da sua base de dados e o suporte financeiro pela Boston-Scientific através de uma Bolsa de Investigação “restricta”.

Elaborado o protocolo pelo steering-committe com o apoio da Key-point e criada uma base de dados acessível pela internet, foram convidados a participar todos os centros nacionais que simultaneamente implantassem dispositivos electrónicos cardíacos (cardioversores-desfibrilhadores e/ou ressincronizadores cardíacos), tivessem capacidade para proceder a um estudo ecocardiográfico detalhado dos doentes assim como ao seu manejo clínico adequado do ponto de vista da insuficiência cardíaca.

De acordo com o protocolo estabelecido, trata-se de um “Estudo Observacional de Caracterização de Doentes com Insuficiência Cardíaca e Assincronia, antes e após Implantação de Dispositivos de Ressincronização e/ou Desfibrilhação”.
Pretendia-se caracterizar sob o ponto de vista clínico, electrofisiológico e ecocardiográfico o perfil dos doentes com insuficiência cardíaca e disfunção sistólica severa (com ou em dissincronia) que foram submetidos à implantação de dispositivos electrónicos (CRT-P, CRTD e CDI), assim como avaliar a sua evolução clínica a longo prazo.

Como objectivos secundários pretendia-se avaliar os factores preditivos de resposta à terapêutica de ressincronização, avaliar a evolução clínica, arritmológica e, ecocardiográfica durante o seguimento de um ano após implantação do dispositivo, caracterizar as complicações intra e extra-hospitalares e avaliar os factores com maior impacto na sua ocorrência.

Dos 25 centros nacionais recenseados, 17 vieram a participar no estudo, depois de obtida a autorização dos respectivos Conselhos de Administração e Comissões de Ética.

A inclusão de doentes iniciou-se em Setembro de 2011 começando por um pequeno número de centros, que foi depois gradualmente aumentando. Devido à dificuldade de recrutamento de novos casos constatada no primeiro ano do estudo, o steering-committee decidiu limitar a inclusão de doentes a 500 indivíduos, número que foi atingido em Abril de 2014. Como os doentes incluídos são seguidos até um ano depois da intervenção, a recolha de dados terminou em Abril de 2015.
A monitorização dos centros foi assessorada pela Key-point tendo no entanto havida grandes dificuldades na obtenção e disponibilização dos dados por parte de alguns centros.

Por essa razão os dados do seguimento ficaram incompletos, pelo que tendo sido incluídos 515 doentes, a avaliação basal ficou disponível em 486 e o follow-up completo em 419.

Procedeu-se á limpeza e validação da base de dados a que se seguiu a análise estatística, assessorada pela Key-point. Foi assim possível analisar os dados de modo a responder aos objectivos do estudo, tendo a sido feita a sua apresentação preliminar durante a reunião Arritmias 2017, estando neste momento a ser preparado o texto final que será submetido para publicação na Revista Portuguesa de Cardiologia.