PLANO DE ACTIVIDADES 2018

O grande desafio para o IPRC em 2018 será ultrapassar as previsíveis dificuldades relacionadas com as mudanças previstas nas condições para a realização das nossas reuniões médicas. Essas alterações resultam de uma conjugação das orientações introduzidas pelo Ministério da Saúde no início de 2017 (Decreto-Lei n.º 5/2017, de 6 de Janeiro) com a entrada em vigor a 1 de Janeiro de 2018 do “Code of Ethical Business Practice” da MedTech Europe. Esta associação europeia das casas da indústria de dispositivos médicos vem por este meio impor aos seus associados e indirectamente às Associações Médicas uma série de condições que vêm alterar as respectivas relações levantando previsivelmente dificuldades acrescidas na organização de reuniões ou outros eventos médicos.

O IPRC, em conjunto com a APAPE serão certamente afectados pois, como é sabido, a realização dessas reuniões tem dependido em grande parte do apoio desse sector da Indústria, sobretudo ao providenciarem o convite a médicos, técnicos e outros profissionais da saúde que trabalham no sector da Arritmologia, assegurando o pagamento a estas organizações das respectivas inscrições e em muitos casos alojamento.

O novo código ético da Associação Europeia das Casas da Indústria de Dispositivos Médicos (MedTech Europe) impede explicitamente a continuação dessa prática, proibindo expressamente às firmas suas associadas os convites a médicos e outros profissionais da saúde, incluindo inscrições, alojamento ou deslocações.

A Indústria continua no entanto a poder apoiar financeiramente as reuniões organizadas por terceiros através de bolsas ou donativos, condicionada por algumas condições definidas no referido Código Ético, relativamente ao programa da reunião, à localização do evento e à conduta para com os inscritos, englobando aspectos como hospitalidade, transparência, gastos com deslocações, alojamento, refeições ou outras despesas. Este apoio da Indústria fica dependente da conformidade com as leis nacionais, regulamentos e códigos profissionais e ainda, para as reuniões internacionais, da aprovação por um organismo regulador designado por “Conference Vetting System”.

O código de ética permite à Indústria a implementação durante as reuniões médicas de actividades promocionais, incluindo a utilização de espaços (stands, hospitality suites) ou a organização de simpósios-satélite.

Ao dependerem quase exclusivamente do apoio das casas de dispositivos médicos, o IPRC e a APAPE são particularmente vulneráveis, pelo se torna necessário definir como se deverá processar a colaboração com a Indústria para que a organização das reuniões científicas cumpra as novas regras, mantendo as suas características quer relativamente ao número de participantes, como às condições dos locais onde forem realizadas, ou sobretudo ao seu nível científico.
Daí termos reunido com os responsáveis de cada uma das casas de dispositivos médicos, procurando discutir os apoios que passarão a dar às associações para que estas possam organizar as suas reuniões científicas e que servirão de base ao estabelecimento de contratos definindo de forma transparente as condições e regras deste apoio.
Se, em relação às reuniões de pacing e electrofisiologia, os procedimentos parecem fáceis na medida em que tem sido já há muitos anos adoptada uma metodologia adaptável às novas regras (o IPRC avança com as despesas, elabora uma previsão dos custos, os quais à posteriori são divididos em partes iguais pelas casas apoiantes, não sendo pagas inscrições nem se envolvendo a Indústria nos convites dos médicos), o problema parece mais complexo no caso da reunião anual “Arritmias”, pois esta mobiliza uma quantidade muito maior de meios e implica uma acentuada modificação da prática até agora utilizada, passando para as associações o grosso das tarefas relacionadas com convites, inscrições e viagens, condicionando uma organização muito mais complexa e trabalhosa.

O IPRC tem de se adaptar a estas novas circunstâncias que implicarão um trabalho acrescido a nível de secretariado, ponderando as adaptações necessárias a nível de meios materiais e se necessário também humanos.

Para esse fim impõe-se também melhorar a articulação do IPRC com a APAPE, mantendo-se válido o protocolo de colaboração estabelecido entre estas duas instituições. Torna-se assim ainda mais importante a disponibilização pelo IPRC da sua estrutura, sobretudo a utilização mais intensiva da sua sede, incluindo os meios humanos e tecnológicos aí disponíveis, devendo haver um esforço por uma melhor definição e coordenação das tarefas a serem cumpridos por uma e outra associação.

Neste contexto, a colaboração das duas instituições na organização da sua reunião anual – “Arritmias 2018” deverá manter-se como o principal investimento do seu esforço conjugado. Apesar das dificuldades previstas, pretende-se que a reunião de 2018 mantenha ou mesmo ultrapasse o nível organizacional e científico das anteriores, mantendo-se como o principal núcleo unificador e dinamizador da arritmologia portuguesa. O encontro está agendado para 16 e 17 de Fevereiro de 2018, uma vez mais no Hotel Cascais Miragem, que foi ainda possível manter como a nossa primeira escolha, dadas as excelentes condições que apresenta para a realização de um evento deste tipo.

Os trabalhos preparatórios da reunião começaram antes do Verão de 2017, continuando a direcção da APAPE a integrar maioritariamente a Comissão Organizadora, cabendo-lhe a definição do programa científico, com participação também de elementos da direcção do IPRC. Como nas reuniões dos anos anteriores, esta última associação mantem a centralização da parte organizativa da reunião, nomeadamente as relações com a Indústria e a coordenação dos aspectos logísticos, para o que conta com o habitual apoio de uma firma especializada neste campo. A gestão do IPRC abrangerá ainda, por acordo com a APAPE, a gestão dos aspectos económicos da reunião, o contrato e demais relações com o hotel, a organização dos espaços, incluindo as salas de sessões e a exposição técnica, o controlo dos secretariados central e local da reunião, a coordenação das listas de convidados e participantes, as refeições e coffe-breaks, a organização da sessão de posters, e ainda a definição da imagem gráfica da reunião e sua aplicação à decoração dos espaços, cartazes, programa e sinalizações.

No segundo semestre do ano, deverá iniciar-se a organização da reunião conjunta de arritmias para 2019, que em princípio deverá manter-se no mês de Fevereiro num local a ser ponderado. Elementos da direcção do IPRC integrarão a sua Comissão Organizadora, participando no seu planeamento e divulgação, na elaboração do programa científico, nos aspectos logísticos e contactos com a indústria.

Pretendendo-se manter as reuniões anuais de pacing e de electrofisiologia, o IPRC deverá definir com a APAPE todos os pormenores da sua organização. A reunião dos Centros de Pacing deverá manter-se em princípio num sábado próximo dos finais de Maio e a de Electrofisiologia em finais de Novembro. O IPRC, como habitual, deverá participar na organização destas duas reuniões, integrando a sua comissão organizadora, colaborando na elaboração do programa, divulgando-o junto dos centros nacionais e a centralizando uma vez mais os aspectos logísticos das reuniões, incluindo a gestão das inscrições, reserva do local, a obtenção de apoios e contactos com a indústria.

Atendendo ao sucesso do workshop organizado na véspera da reunião de electrofisiologia de Novembro de 2017, o IPRC dará apoio a iniciativas idênticas no ano de 2018, pretendendo-se anexar sempre que possível às reuniões gerais e sectoriais previstas.

Na sequência dos mini-cursos organizados com sucesso em 2016/17, quer na sede do IPRC, quer no Porto, pretende-se continuar com esta iniciativa em 2018, sempre com o apoio da Medtronic, estando previsto um novo curso na sede do IPRC em data a definir sobre Ressincronizadores, que se pretende repetir mais tarde no norte e ao qual se poderão seguir outros sobre diferentes temas.

Relativamente aos projectos de investigação, foi concluída a redação do estudo Síncrone”, que foi submetido à Revista Portuguesa de Cardiologia, aguardando decisão dos editores da revista, prevendo-se que se for aceite, venha a ser publicado no decorrer de 2018. Pondera-se a possibilidade da elaboração posterior de um ou mais subestudos, baseados na grande base de dados coligida.

A recolha e publicação dos dados dos registos anuais de electrofisiologia e pacing, deverá continuar a ser centralizado pela APAPE, estando o IPRC disponível para dar todo o apoio necessário, quer nos contactos com os centros quer na disponibilização de meios informáticos para se proceder à elaboração final dos registos e sua publicação.

A Direcção do IPRC vai manter durante o ano de 2018 o seu serviço de apoio bibliográfico, com base na actual lista de revistas assinadas, dentro das áreas da arritmologia, electrofisiologia e pacing. Tendo os sócios do IPRC acesso às palavras passe, não é possível monitorizar o número de consultas, que no entanto parece ser significativo. Pretende-se melhorar a divulgação deste serviço junto de outros médicos, sobretudo dos sócios da APAPE (utilizando nomeadamente o respectivo mini-site).

Estabilizados o aspecto e conteúdos do site do IPRC, pretende-se manter sempre actualizados os seus textos, destacando-se os da rubrica “A Arritmologia Portuguesa no Mundo”, em que se divulga a intervenção da aritmologista portuguesa nas reuniões internacionais mais importnates. Relativamente às publicações de centros portugueses nacionais em revistas internacionais indexadas, não temos conseguido sensibilizar os centros para que nos enviem regularmente os seus dados, pelo que deveremos em 2018 insistir junto dos responsáveis dos centros para a importância de nos enviarem essa informação. Havendo condições para serem enviadas mensagens e outros textos através do nosso portal lamentamos a sua escassa utilização por médicos e doentes para nos colocarem questões ou enviar comentários, pelo que deveremos insistir na divulgação dessa possibilidade.

Enquanto os seus promotores o desejarem, o IPRC manter-se-á como patrocinador e consultor científico do Programa de Desfibrilhadores Externos Automáticos (DAEs) de Guimarães, ao qual continuará a dar apoio. O Instituto estará igualmente disponível para patrocinar, se tal for solicitado, reuniões científicas, cursos, simpósios ou outras iniciativas no âmbito da sua área de interesse, desde que considere terem validade científica para o efeito.

Relativamente às Bolsas de Formação em Electrofisiologia, as Direcções da APAPE e IPRC conseguiram finalmente criar condições e obter apoios para se poder voltar a atribuir anualmente uma bolsa de formação (de dois anos), tendo sido reformulado o respectivo regulamento e abertas em Dezembro de 2017 as candidaturas, que deverão ser entregues até 15 de janeiro de 2018; serão seleccionadas por um Júri definido para o efeito, devendo os resultados ser anunciados no decurso da reunião Arritmias 2018.

O IPRC pretende manter as relações que tem tido com a Fundação Portuguesa de Cardiologia, nomeadamente a sua Secção Norte, convidando-a para se fazer representar nas nossas reuniões e colaborando nas suas iniciativas sempre que para tal for convidada; deverão também ser mantidos os habituais contactos e colaboração com a Associação Portuguesa da Portadores de Pacemakers e CDIs.

O IPRC continuará a disponibilizar as suas instalações, para além das suas próprias reuniões, para cursos, reuniões internas de centros de arritmologia, de outras associações médicas, ou ainda das casas da indústria.